quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Negócio hereditário!


Saiba quais as características e as tendências das empresas familiares


Por Aline Bittencourt/ Network Editora
Em todo o mundo há empresas familiares que se sobressaíram nos negócios. Capazes de alavancar o processo econômico social e geral de uma região, os ditos negócios hereditários são uma crescente em vários setores da economia, seja mundial, brasileira e até mesmo sergipana. Aqui no Estado de Sergipe, pode-se constatar um número considerável de pequenas e micros empresas onde a família são parte fundamental e as vezes integral do organograma empresarial.

Apesar de o Nordeste ter uma economia forte voltada para a atividade agrícola, os setores secundários e terciários estão cada vez mais crescentes em SE. Novas oportunidades para pequenas e médias empresas estão sendo abertas pela terceirização de diversas atividades, por parte de grandes empresas.

Podem-se destacar três tipos básicos de empresa familiar: a tradicional, que mais corresponde ao estereótipo da instituição, o capital é fechado, existe pouca transparência administrativa e financeira e a família exerce um domínio completo sobre os negócios; a híbrida, onde o capital é aberto, mas a família ainda detém o controle, havendo, contudo, maior transparência e participação na administração por profissionais não familiares; e a de influência familiar, em que a maioria das ações está em poder do mercado, mas a família, mesmo afastada da administração cotidiana, mantém uma influência estratégica através de participação acionária significativa.

Aqui em Sergipe, o perfil das empresas familiares está mais próximo ao tipo ‘tradicional’ e ‘híbrido’. Por merecer lugar de destaque, a questão sucessória para alguns estudiosos, é o fator primordial para uma empresa ser considerada familiar. De acordo com alguns desses estudiosos, uma empresa só se transforma numa “verdadeira” empresa familiar quando consegue passar o controle para a segunda geração. Segundo um levantamento tratando de empresas familiares na Comunidade Europeia, mostra que somente três em cada 10 conseguem vencer esta etapa, e somente metade dessas alcançarão a terceira geração.

Globalização

Quando se fala em empresa familiar, é considerado que existem desde pequenas e médias empresas, especializadas e altamente competitivas, ocupando posições de destaque em nichos do mercado mundial. Mas, para se fortalecerem e conseguirem enfrentar os desafios postos pela globalização, a profissionalização da administração tem sido colocada como principal condição para que os sucessores dessas empresas familiares consigam tocá-la em frente.

O planejamento e a reformulação de atividades são fatores importantes para que qualquer empresa seja de porte micro, pequeno, médio ou grande, consiga concorrer e permanecer no mercado, já que há o acirramento da concorrência. Uma melhor preparação dos herdeiros, dotando-os de formação técnica, por exemplo, seria uma medida que facilitaria este planejamento.  
Sergipe

A empresa familiar como sendo aquela organização empresarial que tem sua origem e sua história vinculadas a uma mesma família há pelo menos duas gerações, ou aquela que mantém membros da família na administração dos negócios, ou seja, empresa que é controlada e/ou administrada por membros de uma família se tornou uma realidade comum aqui no estado.

Um exemplo de empresa familiar em Sergipe e que presta serviços na área da Educação é o Colégio do Salvador, que desde o início da década de 30, quando uma das doze filhas do casal José Leite e Anísia, que compunham a família Galrão, mudarem-se da Bahia para Sergipe, resolveu abrir um colégio. Tendo concluído o curso pedagógico na Bahia e mudado para Aracaju, onde começou a dar aulas particulares para alguns jovens e crianças, Zilda, deu início à história do colégio em 1935.

De acordo com o sócio administrador do colégio, Antônio Marcolino Neto, o colégio pode ser considerado do tipo tradicional e de porte pequeno. Para Marcolino, Cada tipo de empresa familiar depende de como a empresa começou e cresceu. “Creio que a mais recorrente no Estado de Sergipe seria a ‘híbrida’, no entanto temos muitas outras tradicionais”, afirma.
Essa administração do colégio já está na terceira geração, e segundo o sócio administrador, “não tem como, em qualquer instituição, funcionar sem planejamento. Isso é algo essencial para qualquer organização”, considera ele.

Saiba MAIS
De acordo com o artigo “Tendências da Empresa Familiares no Mundo”, as empresas controladas e administradas por familiares são responsáveis por mais da metade dos empregos e, dependendo do país, geram de metade a dois terços do PIB. Nos Estados Unidos, a maioria das empresas é controlada e administrada por famílias, sendo responsáveis por 59% do emprego, 78% dos novos empregos e 27 milhões de pessoas que nelas trabalham.

Na Alemanha, as empresas familiares concentram-se nos três milhões de pequenas e médias empresas do Mittlestand, têm em média menos de cem funcionários e respondem por metade do faturamento e por dois terços do emprego do setor industrial, dentre elas, quinhentas dominam nichos mundiais em produtos avançados de alta qualidade.

 No Brasil, 3,5 milhões de empresas familiares geram dois milhões de empregos diretos; das trezentas maiores empresas do país, 280 são familiares, com projeções de chegar a sete milhões de empregos até 20066. Esses dados confirmam que a empresa familiar, em qualquer lugar do mundo, é o grande canal para que uma região se desenvolva; são dados preliminares indicadores da sua relevância e importância para o processo econômico e social em geral.

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